terça-feira, 4 de dezembro de 2007

CINEMA PRETO E BRANCO?


Por Glaucio Fabrizio

É inegável a influencia que a cultura americana tem sobre o século XX, principalmente após o término da segunda guerra mundial, tão bem explicado em artigo escrito pelo nosso colega do Cineclube Mossoró, Julius Victorius. O rock por exemplo, tem suas raízes no blues, assim como o jazz, ou seja, com raízes fincadas na forte cultura negra americana.

E no cinema? temos muitas referencias de atores negros como protagonistas de grandes clássicos? Atores negros qualificados sempre tivemos. No Brasil quem não lembra de Grande Otelo? Atuando nas Chanchadas da Atlântida ou interpretando o mais famoso personagem de Mário de Andrade, o Macunaíma, na primeira fase da estória, já que Paulo José (branco) o faz na maior parte do filme, claro que seguindo o enredo do livro.

Nos final dos anos 60 e inicio dos anos 70 explodia nos EUA a frase BLACK IS BEAUTIFUL (Negro é Lindo) que inclusive foi titulo de um álbum do Jorge Ben, em 71. Nesta década a cultura negra, mais valorizada, esteve mais presente no cinema. O próprio Jorge Ben, teve varias musicas incluídas nas trilhas sonoras de filmes, a mais celebre foi Xica da Silva, do filme homônimo com direção de Cacá Diegues, tendo Zezé Motta como protagonista. E no cinema americano? Onde encontramos a referencia negra no cinema, não somente nas trilhas sonoras, mas como protagonistas?

Ainda nos anos 70 os filmes policiais ganhava um negro como protagonista, na alcunha do personagem SHAFT, fora Richard Roundtree (protagonista dos 4 filmes da série),o comediante Richard Pryor, Sidney Poitier (o mais reconhecido),não consigo lembrar de tantos protagonistas negros atuando em filmes que pelo menos não se tratassem de escravidão ou sobre racismo.

É claro que mais recentemente atores como Whoopy Goldberg e Danny Glover (que estiveram muito bem no belíssimo filme A Cor Púrpura nos anos 80), Denzel Washington, Lawrence Fishburn, Jamie Foxx ( vencedor do Oscar interpretando Ray Charles), Samuel L. Jackson, Halle Berry e Will Smith tiveram seus talentos reconhecidos e hoje gozam do Status de celebridade em Hollywood.

Lógico e evidente que muitas portas ainda precisam ser abertas para profissionais negros em todas áreas, no cinema não é diferente. O Fato é que na arte não podemos permitir apartheid. Cinema para pretos, cinema para brancos, musica para pretos, musica para brancos. Afinal de contas Joe Cocker não nasceu negro, nasceu inglês e canta(ou cantava) maravilhosamente como um negro americano.

Um comentário:

Julius Paiva disse...

E ae Don fabrizio.. muito massa esse artigo... principalmente o final, falando do cocker. Parabéns, mesmo!