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segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Resquícios da Guerra Fria - Parte I: Ditaduras na América.

Ao final dos anos 40 os Estados Unidos e a Rússia se consolidaram como as duas grandes potências mundiais e iniciaram uma competição ideológica e armamentista que perdurou até o início dos anos 90. Como esses países exerciam enorme influência sobre as nações menos desenvolvidas, essa “rusga particular” adquiriu proporções mundiais.

Com a criação da Organização dos Estados Americanos em 1948, os EUA sinalizavam a intenção de estender a sua ideologia e seu modo de vida para os demais países da América. Já no ano de 1961, os norte-americanos fundaram um programa de apoio econômico para nações subdesenvolvidas chamado de Aliança para o Progresso. Através desse programa, eles pretendiam consolidar, de vez, o seu papel como “tutor” dos países pobres e varrer a ameaça comunista para bem longe.

É nesse contexto que se observa o definhamento das instituições democráticas e a instauração de ditaduras em várias partes do mundo – inclusive na América Latina. Esses governos ditatoriais usurpavam o poder em nome da segurança e da soberania nacional, mas, na verdade, estavam ligados a uma das duas potências: caso fosse considerado “de direita”, ou seja, capitalista, seria subvencionada pelo Tio Sam; se fosse “de esquerda”, de índole socialista, estaria sob a égide da União Soviética, como Cuba.

No Brasil, como sabemos, o golpe militar de 1964, deu início a uma ditadura que sobreviveu durante 21 anos. Algo semelhante aconteceu em outras nações sul-americanas: na Argentina, entre 1976 e 1983; no Uruguai, de 1973 a 1984 e no Chile, de 1973 a 1989. Os governos ditatoriais se valiam da prerrogativa da força militar e de contarem com o respaldo das classes médias e altas, geralmente. Para legitimarem as arbitrariedades cometidas (prisões sumárias, desaparecimento, torturas e mortes de opositores, intelectuais, jornalistas e varias outras pessoas que eles julgavam “subversivas”) durante a sua gestão, eles tomavam para si o papel de “defensores da nação” e, se agiam da forma que agiam, era em nome da “segurança nacional”.

Embora os países citados acima já tenham superado essa fase negra da história, várias seqüelas ficaram no semblante dos familiares dos mortos e desaparecidos dessa época.

Através de filmes como Condor, Batismo de Sangue, Zuzu Angel; Cabra-Cega; Achados e Perdidos; O ano em que meus pais saíram de férias etc., o Cinema, hoje, presta homenagem aos mortos e atua como delator das barbáries que foram perpetradas contra a população durante os governos ditatoriais, pois, como as liberdades de imprensa e de expressão haviam sido cerceadas na época, as pessoas não tinham acesso a muitos dos acontecimentos relevantes que estavam se desenrolando. É o cinema, mais uma vez, levando entretenimento, cultura e, sempre que possível, a verdade até o espectador!

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

FESTIVAL DO RIO 2007 AMEAÇA A COROA DE GRAMADO.


Durante duas semanas a cidade maravilhosa transformou-se na capital brasileira do cinema. Em sua nona edição, o Festival do Rio, que nasceu em 1999 com a junção do Cine Rio Festival e a Mostra Banco Nacional de Cinema, dois importantes festivais criados na década de 80, veio corroborar com a idéia de que o Brasil, país de grandes cineastas, está se transformando, também, em um país de grande cinema.

O evento ocorreu entre os dias 20/09 e 04/10 e, segundo dados dos organizadores, bateu recorde de público, alcançando a incrível marca de 300 mil espectadores, o triplo da cifra alcançada pelo Festival de Gramado, que ainda é considerado por muitos o maior evento do gênero no Brasil. Há tempos que o evento carioca vem ameaçando o reinado do congênere gaúcho, e nada pode ser mais salutar para o engrandecimento do nosso cinema do que essa disputa.

A edição 2007 do Festival do Rio superou a de Gramado não só nos números, a qualidade dos filmes exibidos também foi superior, dando ao público a oportunidade de acompanhar obras que foram destaques em importantes festivais como Cannes e Veneza. Ainda é válido lembrar que o evento carioca preocupou-se em garantir a visibilidade do cinema não só como arte, mas, também, como um negócio, contribuindo para que a indústria desse setor – que no nosso país parece nunca deslanchar – cresça. A prova cabal disso está na realização, paralela ao festival, do Riomarket, o maior encontro de mercado cinematográfico da América Latina, cujo escopo desse ano era tratar sobre a convergência de mídias.

A noite de premiação, que aconteceu na quinta, dia 04, teve como grande “vencedor” o filme Estômago, primeiro longa-metragem do diretor Marcos Jorge, que recebeu os prêmios de: Melhor direção (ficção); Melhor longa (ficção), pelo voto popular; Prêmio Especial do Júri para o coadjuvante Babu Santana e Melhor ator para João Miguel, que já havia ganhado o prêmio em 2005 por “Cinema, aspirinas e Urubus”. O Júri Oficial, que contou com a participação dos atores Marília Pêra e Chico Diaz, entregou ainda os prêmios de Melhor longa-metragem (documentário) a Condor, de Roberto Mader; Melhor curta-metragem a Sete Minutos; Melhor direção (documentário) a Cão Guimarães, por Andarilho e Melhor atriz a Carlas Ribas por A casa de Alice.

Ah, antes que alguém sinta falta, o tão falado Tropa de Elite - um grande filme - foi, sim, exibido no Festival, causando, como já se esperava, um frenesi danado, mas não participou da mostra competitiva.


VOTO POPULAR

- Melhor Longa ficção: ESTÔMAGO, de Marcos Jorge

- Melhor Longa documentário: MEMÓRIA PARA USO DIÁRIO, de Beth Formaggini

- Melhor Curta – A MALDITA, de Tetê Mattos


JÚRI OFICIAL - Presidido por Affonso Beato e composto pelos atores Marília Pêra e Chico Diaz, Clare Stewart (diretora executiva do Festival de Sidney) e pelo presidente do Instituto Luce, Luciano Savegna.

- Melhor Longa-Metragem Ficção - MUTUM, de Sandra Kogut

- Melhor Longa-Metragem Documentário - CONDOR, de Roberto Mader

- Melhor Curta-Metragem – SETE MINUTOS, de Cavi Borges, Júlio Pecly e Paulo Silva

- Melhor Direção (ficção) – MARCOS JORGE (Estômago)

- Melhor Direção (documentário) - CAO GUIMARÃES (Andarilho)

- Melhor Ator – JOÃO MIGUEL (Estômago)

- Melhor Atriz- CARLA RIBAS (A Casa de Alice)

- Prêmio Especial do Júri – BABU SANTANA (por Estômago e Maré nossa história de amor)


sábado, 22 de setembro de 2007

O Pagador de Promessas


O Cineclube Mossoró exibirá, no próximo sábado, dia 29, um grande sucesso do cinema brasileiro. Por que não dizer mundial? O Pagador de Promessas, filme de 1962, foi ovacionado em grande parte do mundo; recebeu uma miríade de elogios por parte da crítica especializada, chegando a ser premiado com a Palma de Ouro no Festival de Cannes.

Baseado na peça teatral homônima de Dias Gomes, o filme conta a história de “Zé do Burro” – interpretado por Leonardo Villar - um camponês do interior da Bahia, humilde e ingênuo, porém, de caráter bastante íntegro. Após a queda de um raio que atingira o seu burro, Zé, desesperado com a possibilidade de perder o seu querido animal, faz uma promessa para Santa Bárbara, a fim de que esta livrasse o jegue da morte. Caso a graça fosse alcançada, Zé doaria parte do seu sítio e carregaria uma cruz – que segundo as suas próprias palavras, seria “tão pesada quanto a de Cristo” – até o altar da igreja de Santa Bárbara mais próxima.

Como o burro havia escapado do acidente, Zé teria de pagar a sua promessa. Entretanto, ao contrário do que muitos podem pensar, a tarefa mais complicada para o protagonista não seria a árdua e longa caminhada, mas, sim, ter de enfrentar a intolerância da Igreja Católica. Como a promessa havia sido feita em um terreiro de Candomblé, embora se destinasse a uma santa genuína do catolicismo, o Padre Olavo (Dionísio Azevedo), o responsável pela paróquia de Santa Bárbara, não permite que Zé deposite a cruz ante o altar.

A partir desse momento, entram em cena novas discussões que vão muito além da fé e do sincretismo religioso – apanágio do povo baiano. Um simples ato de gratidão e devoção resulta em questões políticas e sociais. Rosa (Gloria Menezes), a esposa de Zé, que o acompanhara durante toda a jornada, foi seduzida por um cafetão logo que chegou à cidade; a imprensa, um cordelista de rua, e até o dono de uma bar próximo à Igreja tentam aliciar o próprio Zé. Este, alheio a todas as propostas, só pensava em cumprir o seu juramento e voltar para casa.

O filme é relativamente curto, tem pouco mais de uma hora e meia, mas, ao mesmo tempo, é tão abrangente – fala de reforma agrária e “denuncia” a manipulação das informações por parte da imprensa – que só mesmo um grande diretor como Anselmo Duarte consegue discorrer, com singular maestria, sobre tantas coisas em pouco tempo.

É praticamente impossível assistir e não se emocionar com essa história que poderia ser a de qualquer um de nós - no fim das contas, católicos ou não, cada um carrega a sua própria cruz. A história de um homem comum, demasiadamente cândido, impossibilitado de cumprir uma promessa por causa dos caprichos e interesses de outrem.

sábado, 25 de agosto de 2007

35º Festival de Cinema de Gramado


35º Festival de Cinema de Gramado

Criado em 1973, o Festival de Cinema de Gramado apareceu como um divisor de águas na cinematografia nacional. Desde suas primeiras edições, foi marcado pelo sensacionalismo e pela singular capacidade de transpor o crivo da censura. Desse tempo pra cá, Gramado se consolidou como a maior festa do cinema brasileiro e serviu como trampolim para o sucesso de quase tudo o que se produziu em nosso país.
Em sua 35º edição, que ocorreu entre os dias 12 e 18 de agosto, Gramado presenteou com 33 kikitos diversas produções nacionais e estrangeiras. Esse ano, além das premiações tradicionais, a equipe do festival decidiu inovar com o kikito de Cristal, que foi concedido ao cineasta Eduardo Coutinho, pelo conjunto de sua obra e em reconhecimento de sua contribuição ao nosso cinema. A atriz Zezé Motta, também foi uma das homenageadas do Festival, recebendo o Troféu Oscarito, que há 17 anos é concedido a atores e atrizes brasileiros.
Dentre os longas-metragens nacionais, o documentário “Castelar e Nelson Dantas no país dos Generais” ficou com os prêmios de melhor filme e melhor montagem. Entretanto, o grande campeão foi “Deserto Feliz”, uma produção pernambucana que levou pra casa cinco kikitos, entre eles os de Melhor Diretor (Paulo Caldas); Prêmio da Crítica e Melhor Filme pelo Júri Popular. Os Prêmios de Melhor Ator e Melhor Atriz ficaram com Gustavo Machado (Olho de Boi), e Ingra Liberato (Valsa para Bruno Stein) respectivamente.
Já entre os longas estrangeiros, o Prêmio de Melhor filme foi para a produção Anglo-argentina “Nacido Y Criado”, que também recebeu os kikitos de Melhor Fotografia e Melhor Diretor (Pablo Trapero). Porém o grande vencedor do Festival foi “El Baño del Papa”, ganhando ao todo sete kikitos: o de Melhor Roteiro; Melhor Ator (César Troncoso); Melhor Atriz (Virgina Méndez); Prêmio da Crítica; Prêmio Excelência de Linguagem Técnica e Melhor Filme pelo Júri Popular. Uma outra produção estrangeira a ser premiada foi “O Cobrador – In God We Trust”, filme dirigido por Paul Leduc e estrelado por Lázaro Ramos, recebendo o Prêmio Especial do Júri.
Além dos kikitos dados aos longas-metragens nacionais e estrangeiros, outras premiações foram entregues aos curtas em 35mm e às produções gaúchas.
Durante os sete dias do evento, mais de 100 mil pessoas passaram por Gramado. O Festival merece todo o nosso respeito e atenção, não somente por ser o maior do País, e sim, pela sua autêntica proposta de alçar as produções nacionais a um lugar de destaque, imprimindo o nome do Brasil no calendário do mundo cinematográfico.

A seguir confira a lista completa com todos os vencedores:

LONGAS BRASILEIROS

Melhor Filme: para “ Castelar e Nelson Dantas no Pais dos Generais” de Carlos Prates
Melhor Diretor: para Paulo Caldas pelo filme “Deserto Feliz”
Melhor Ator: para Gustavo Machado pelo filme “Olho de Boi
Melhor Atriz: para Ingra Liberato pelo filme “Valsa para Bruno Stein “
Melhor Roteiro: para Marcos Cesana pelo filme “Olho de Boi”
Melhor Fotografia: para Paulo Jacinto dos Reis pelo filme “Deserto Feliz”
Prêmio Especial do Júri: para “Condor” de Roberto Mader
Prêmio Qualidade Artística: para “Victor Biglione” pelo filme “Condor”
Melhor Diretor de Arte: Moacyr Gramacho – “Deserto Feliz”
Melhor Música: Erasto Vasconcelos e Fábio Trummer – “ Deserto Feliz”
Melhor Montagem: Carlos Prates – “Castelar e Nelson Dantas no País dos Generais”
Prêmio da Crítica: “Deserto Feliz” de Paulo Caldas
Melhor Filme do Júri Popular: “Deserto Feliz” de Paulo Caldas

LONGAS ESTRANGEIROS

Melhor Filme: para NACIDO Y CRIADO de Pablo Trapero
Melhor Diretor: para PABLO TRAPERO de Nacido y Criado
Melhor Ator: para CÉSAR TRONCOSO de El Baño del Papa
Melhor Atriz: para VIRGINIA MÉNDEZ de El Baño del Papa
Melhor Roteiro: para ENRIQUE FERNANDEZ E CESAR CHARLONE de "El Baño de Papa"
Melhor Fotografia: para BILL NEITO de Nacido y Criado
Prêmio Especial do Júri: para PAUL LEDUC do COBRADOR
Prêmio Excelência de Linguagem Técnica: El Baño del Papa de Enrique Fernández e César Charlone
Prêmio da Crítica: El Baño del Papa de Enrique Fernández e César Charlone
Melhor Filme do Júri Popular: El Baño del Papa de Enrique Fernández e César Charlone

CURTAS 35 mm

Melhor filme de curta metragem em 35mm: Alphaville 2007 d.c de Paulinho Caruso
Melhor Diretor: Esmir Filho pelo filme Saliva
Melhor Ator: Francisco Gaspar pelo filme O.D. Overdose Digital
Melhor Atriz: Caroline Abras pelo filme Perto de Qualquer Lugar
Melhor Roteiro: Paulinho Caruso pelo filme Alphaville 2007 d.c
Melhor Fotografia: Carlos Ebert pelo filme Satori Uso
Melhor Diretor de Arte: Eduardo Correa – Balada do Vampiro
Melhor Música: Celso Loch – Balada do Vampiro
Melhor Montagem: Paulinho Caruso, Rê Castanhari , Vitali e Pedro Caetano – Alphaville 2007 d.C
Prêmio da Crítica: Satori Uso, de Rodrigo Grota

MOSTRA GAÚCHA

Melhor Filme: Rolex de Ouro de Beto Rodrigues
Melhor Diretor: Beto Rodrigues – Rolex de Ouro e Rafael Figueiredo – A Peste da Janice
Melhor Roteiro: Márcio Schoenardi – Os Viajantes
Melhor Ator: Marcelo de Paula – Um Aceno na Garoa
Melhor Atriz: Renata de Lélis – Um Aceno na Garoa
Melhor Fotografia: Alberto La Salvia – A Peste da Janice
Melhor Montagem: Fábio Lobanowsky – A Peste da Janice
Melhor Diretor de Arte: Eduardo Antunes – Um Aceno na Garoa
Melhor Música: Geraldo Flach – Um Aceno na Garoa

sábado, 4 de agosto de 2007

Garotas do ABC

por Jônatas Andrade

GAROTAS DO ABC (Carlos Reichenbach)

“A lei acima do homem;
a ordem acima da lei;
o direito acima da ordem;
e o Brasil acima de tudo”

A região do grande ABC além de grande pólo industrial possui muitas histórias para contar. Aurélia, fã de Arnold Schwarzeneger, gosta de homens fortes e namora com Fábio. Fábio é um musculoso neonazista que faz parte de um bando que pratica algumas explosões à noite e que é liderado por Salesiano de Carvalho, um advogado que escuta Wagner, cita Plínio Salgado e é filho de dono de pedreira, de onde consegue explosivos.

Garotas do ABC é o mais novo longa metragem que será exibido no Cineclube Mossoró. O filme que é dirigido por Carlos Reichenbach é o 13º de sua carreira. O filme é dividido em dois tempos, ou atos. O primeiro é “Trabalho” que ocupa a primeira metade do filme. O segundo é “Tempo Livre” que ocupa a outra metade.

“Trabalho” mostra de forma dinâmica o dia-a-dia e a convivência (nem sempre fácil) das operárias de uma fábrica têxtil em São Bernardo. Algumas estão lá porque precisam, outras para se relacionar com o chefe e outras apenas para atazanar o resto. Enquanto isso Salesiano, Fábio e o resto do bando gastam o dia a beber e planejar ataques a negros e nordestinos.

Já “Tempo Livre” nos dá a visão sobre o que as moças das fábricas fazem quando não estão de serviço. A maioria delas usa o tempo livre para ir ao Democrático, uma espécie de casa de show onde elas, mesmo fora do trabalho, se aliam de acordo com subdivisão que já há na fábrica. Aurélia usa tempo livre para visitar seu namorado Fábio e preocupar sua família que preza muito pela segurança e bem estar dela.

Garotas do ABC é um filme de tipos, possui vários. De moças trabalhadeiras, de gente que procura encrenca e de alguns idealistas, ou loucos.

Ficha Técnica:

Tempo de Duração: 124min
Ano de Lançamento (Brasil): 2003

LOCAL:

O filme será exibido na Biblioteca Ney Pontes Duarte (antiga União
Caixeiral) com ENTRADA FRANCA.

DATA E HORÁRIO:

No dia 11/08 às 19h30min.

APOIADORES:

Marcha Mundial das Mulheres
DECOM - UERN
Biblioteca Ney Pontes Duarte
Edmilson Serigrafia
Editora Queima-Bucha
Kiko´s Eventos

sexta-feira, 6 de julho de 2007

A Máquina


por Jônatas Andrade

No tempo de Antônio...

Nordestina, cidade pequena e imaginária repleta dos seus tipos. Uns petrificaram-se lá como Antônio. Mas alguns, como Karina, querem largar esse tal de “fim de mundo”. Karina quer o mundo só para ela. Antônio quer Karina só para ele. As duas situações não parecem combinar. Então numa atitude homérica Antônio “arreda o pé” e diz que irá trazer o mundo desejado para Karina como prova do seu amor.

A Máquina, mistura de ficção e romance, é o mais novo filme a ser exibido no Cineclube Mossoró. O filme é o vencedor do prêmio de Melhor Filme do Júri Popular no Festival do Rio e ainda recebeu duas indicações ao Grande Prêmio Cinema Brasil nas categorias melhor ator coadjuvante (Lázaro Ramos) e de melhor Roteiro Adaptado.

O filme é baseado no livro escrito por Adriana Falcão que posteriormente foi transformado em peça de teatro dirigida por João Falcão. A peça revelou os talentos de Wagner Moura e Lázaro Ramos. A história gira em torno da busca incessante da personagem Karina (Mariana Ximenes) por seu “lugar ao sol”. Antônio (Gustavo Falcão) se apaixona por Karina a cada dia que passa e a possibilidade de que ela vá embora de Nordestina faz com que ele tome uma atitude extrema. Atitude essa ira pôr sua própria vida em perigo quando ele resolve enfrentar o desconhecido para fazer Karina ficar.

Antônio acaba sendo o último dos seus 12 irmãos a sair de Nordestina. E é uma ida que talvez não tenha volta já que ele promete que se não conseguir chegar ao futuro ele irá provocar sua própria morte na frente das câmeras e jornais sensacionalistas de todo o mundo.

Sem se prender a um só plot cinematográfico o filme explora muito bem a poesia armorial de Ariano Suassuna, a influência da mídia na formação dos seres, a busca de novos ares como forma de alcançar um sucesso que nem sempre vem e também trabalha com a direção de arte em certas e poucas partes “à la Dogville”, de Lars Von Trier. O filme ainda conta a produção musical da DJ Dolores e Chico Buarque.

O amor é o combustível...

FICHA TÉCNICA:
Tempo de Duração: 90 minutos
Ano de Lançamento (Brasil): 2006
Estúdio: Diler & Associados
Distribuição: Buena Vista International
Direção: João Falcão
Roteiro: João Falcão e Adriana Falcão, baseado em livro de Adriana Falcão e
em peça teatral de João Falcão.

LOCAL:
O filme será exibido na Biblioteca Ney Pontes Duarte (antiga União
Caixeiral) com ENTRADA FRANCA.

DATA E HORÁRIO:
No dia 14/07 às 19h30min.

APOIADORES:
Marcha Mundial das Mulheres
DECOM - UERN
Biblioteca Ney Pontes Duarte
Edmilson Serigrafia
Kiko´s Eventos

O Cineclube Mossoró é uma entidade sem fins lucrativos e sem nenhuma ligação partidária. O cineclube promove a exibição de filmes e a realização de debates após as sessões como forma de integrar o indivíduo a sociedade e discutir propostas e temas para a melhoria dos nossos projetos.

terça-feira, 12 de junho de 2007

Quase Dois Irmãos

por Jônatas Andrade

O Cineclube Mossoró apresenta "Quase Dois Irmãos"

“A vida nos mostrou outros caminhos... e a dor...”.

Utópico, mas ao mesmo tempo cru e que expõe verdades por vezes esquecidas. Mas verdades que nunca deixaram de ser sentidas. Uma aula de cinema e com conteúdo, que coloca homens de ideais diferentes frente a frente. Homens que um dia quase foram dois irmãos.

Acompanhamos através da narração em off do personagem Miguel e através de seqüências não lineares a origem de seu personagem e de seu amigo de infância Jorginho. O filme tem início nos dias atuais quando Miguel, agora deputado e pai de família, resolve visitar Jorginho, um grande traficante de drogas, na prisão e lhe oferecer participação em um projeto social.

Depois da seqüência inicial passamos a acompanhar através das seqüências não lineares os anos 50 quando Miguel e Jorginho se conhecem ainda crianças devido à amizade dos pais e depois nos anos 70 quando Miguel é preso por ser militante político e Jorginho é apenas um preso comum colocado junto com os presos políticos. E por fim, na atualidade, onde Miguel tenta livrar sua filha do mesmo caminho tomado por Jorginho e onde o mesmo agora preso consegue comandar uma quadrilha de traficantes sem nenhuma dificuldade.

A diretora Lúcia Murat, ex-militante política, nos apresenta um filme onde presenciamos mudanças drásticas nos personagens principais. Mudanças que os levam a caminhos diferentes e onde o filme mostra para que veio. Para mostrar que uma sociedade molda os seres que nela vivem. Que laços são desfeitos mais facilmente do que como foram feitos.

Quase Dois Irmãos é um longa onde o que impera é a sociedade diante dos seres. Que pessoas mudam e se moldam para se adaptarem as situações que são impostas a elas.

Premiações

- Recebeu 3 indicações ao Grande Prêmio Cinema Brasil, nas categorias de Melhor Ator (Flávio Bauraqui e Caco Ciocler) e Melhor Edição.

- Ganhou os prêmios de Melhor Diretor e Melhor Ator (Flávio Bauraqui), no Festival do Rio.

- Ganhou os prêmios de Melhor Trilha Sonora e Melhor Edição, no Festival de Havana.

- Ganhou o prêmio de Melhor Filme - Júri Popular, no Festival de Cinema Brasileiro de Paris.

- Recebeu 4 indicações ao Prêmio ACIE de Cinema, nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator (Flávio Bauraqui) e Melhor Roteiro.

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Arquivo digital de Glauber


O acesso à obra do maior cineasta brasileiro pelo público nem sempre é simples: são poucos os filmes de Glauber Rocha disponíveis em DVD, e raras as oportunidades de vê-los nos cinemas. Mas agora tudo o que Glauber produziu dentro e fora do cinema está sendo restaurado, digitalizado – e em breve estará disponível na Internet.
Um sobrado no Rio guarda riquezas da cultura nacional. Lá tem muito da história de um dos maiores artistas do cinema brasileiro: um arquivo de mais de 100 mil documentos sobre a vida e a obra de Glauber Rocha – diários escritos durante o exílio nos anos 70, romances e filmes.
Glauber Rocha foi uma espécie de gênio rebelde que transformou o cinema brasileiro. “Cinema é para ver e é para ouvir, quer dizer, o diretor não deve falar do filme, não”, ele disse em uma entrevista.
Seus filmes mostram uma realidade alegórica e muitas vezes delirante. Glauber fez o Cinema Novo; nos anos 60, valorizou a fotografia, criou uma linguagem-limite, desconstruiu narrativas para formar um sentido novo e livre. E conseguiu, no cinema, dizer muito sobre o Brasil: da denúncia da miséria à complexidade das faces políticas de “Terra em Transe”.
Um de seus curtas mais polêmicos foi sobre a vida do pintor Di Cavalcanti. Com uma equipe de filmagem, ele entrou no velório do artista morto, e tirou o lenço que cobria o rosto do pintor. Depois de interditado por 20 anos, a pedido da família do pintor, o curta-metragem foi premiado em Cannes.
Os arquivistas querem agora divulgar a obra de Glauber Rocha. Em um ano, todos os documentos, anotações pessoais, fotos e até peças de teatro escritas pelo artista vão estar disponíveis na Internet.
Os originais são de acesso restrito – somente a equipe de restauradores pode tocá-los. “Um erro pode ser fatal, você pode perder informação que muitas vezes é única”, justifica a museóloga Roberta Leite.
O trabalho foi iniciado pela mãe de Glauber, dona Lucia. Aos 88 anos, incansável, ela reuniu tudo o que há de memória concreta sobre a vida e a obra do filho. “Eles estavam embolados, jogados no cesto. Eu pegava os documentos, botava em cima da mesa, botava um paninho fino com um papel em cima e passava a ferro bem frio. Ficava horas fazendo aquilo. Depois eu embalava numa folhinha de papel e punha em cima do meu guarda-roupa”, mostra Lucia Rocha.
Sobre o projeto de digitalização, ela define: “É um sonho, e o sonho é a única coisa que ninguém pode perder”.


FONTE: Jornal da Globo

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Baile Perfumado tem sessão concorrida


No último sábado, 19 de maio, foi realizada a sessão do filme Baile Perfumado. Após a exibição do filme, teve lugar um animado debate entre os presentes sobre o fenômeno do cangaço em geral e, em particular, a importância do filme em desencadear o recrudecimento da repressão do Estado Novo ao próprio cangaço e seu círculo de influência, com consequências trágicas para o mascate e cineasta Benjamin Abrahão.

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Baile Perfumado

Released por Jônatas Andrade


Revisitando o acervo de filmes nacionais é possível constatar que filmes sobre o cangaço já existem aos montes. Baile Perfumado diferencia-se justamente por dar novo gás a esse tipo de película.

O nosso personagem principal dessa vez não é Lampião, nem Maria Bonita. E sim um mascate libanês amigo do Padre Cícero. Benjamin Abrahão (Duda Mamberti) é o homem que resolve desmistificar Lampião e ao mesmo tempo ganhar dinheiro com isso. Ele resolve então documentar a saga do cangaceiro e seu bando.

Benjamim Abrahão é que irá nos guiar por esse “árido movie”. Com suas imagens ele tentará nos mostrar o valente cangaceiro se mostrando pequeno diante das novidades que surgiam naquele tempo. Ora “cabra da peste” e hora passional. O libanês apenas não contava que a ditadura do Estado Novo iria atrapalhar seus sonhos.

O filme conta com as únicas imagens reais de Lampião ainda vivo. O que ficção e o que é real? Depois de assistir Baile Perfumado é difícil separar as partes.

O longa faz uso certeiro de metalinguagem e conta com uma mescla de imagens antigas ligadas à trilha sonora moderna conduzida entre outros pelo saudoso Chico Science.

Baile Perfumado foi feito na época de reestruturação do cinema nacional. Foi feito tempos depois do fim do Governo Collor quando a produção de filmes foi quase abandonada

Todo mito em cima de Lampião já foi debatido por muitos, chegou à hora de conferir uma nova visão, uma nova e inesquecível experiência visual e histórica.

LOCAL:

O filme será exibido na biblioteca Ney Pontes Duarte (antiga União Caxeiral) com ENTRADA FRANCA.

DATA E HORÁRIO:
O filme será exibido no dia 19/05, no auditório da Biblioteca Ney Pontes Duarte, às 19h30min com ENTRADA FRANCA.

PRÊMIOS:
- Ganhou 3 prêmios no Festival de Brasília, nas seguintes categorias: Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante (Aramis Trindade) e Melhor Cenografia.
- Ganhou o prêmio de Melhor Pôster, no Festival de Cinema de Havana.

APOIO:

MARCHA MUNDIAL DAS MULHERES
BIBLIOTECA NEY PONTES DUARTE
DECOM-UERN

O Cineclube Mossoró é uma entidade sem fins lucrativos que visa promover a cultura e o conhecimento através da exibição de filmes e debates que são realizados ao fim das exibições onde todos podem se manifestar.

terça-feira, 1 de maio de 2007

Narradores de Javé


A história é muito mais valiosa pelo que esconde do que pelo que mostra. O Cineclube Mossoró apresenta, no próximo dia 14/04 (sábado), Narradores de Javé, um dos maiores êxitos do cinema brasileiro recente.

Os habitantes do pequeno vilarejo de Javé são surpreendidos pela notícia de que o lugar está prestes a desaparecer sob as águas de uma usina hidrelétrica. A única saída para Javé, resolvem, é provar que o povoado possui importância histórica. Convencidos por um dos líderes locais (Nelson Xavier, de O Rei do Rio), os moradores decidem então recontar a própria história, supostamente composta de grandes feitos heróicos praticados por seus antepassados, fundadores da aldeia. Para tanto, serão obrigados a recrutar Antônio Biá (magistralmente interpretado por José Dumont, de A Hora da Estrela), um antigo desafeto de todos, e único morador alfabetizado do lugar. Acontece que cada habitante de Javé tem a sua versão particular da história, modelada por suas origens sociais, étnicas, e pelas próprias fantasias individuais, inerentes ao humano.

Dirigido por Eliane Caffé (Kenoma), Narradores de Javé discute questões ligadas à memória histórica e suas "verdades", flutuando entre as tradições oral e escrita. O filme recebeu o prêmio da crítica no Festival Internacional de cinema de Friburgo (Suíça, 2003), Prêmio Gilberto Freyre e sete troféus Calunga − filme, direção, montagem, ator (José Dumont), ator coadjuvante (Gero Camilo), edição de som e atriz coadjuvante (Luci Pereira) − no Festival de Cinema de Recife, prêmios de melhor filme do júri oficial e do júri popular e ainda o prêmio de melhor ator para José Dumont no Festival do Rio 2003, prêmios de melhor filme independente e de melhor roteiro no 30º Festival Internacional do Filme Independente de Bruxelas, na Bélgica, prêmio de melhor filme no VII Festival Internacional de Cinema de Punta del Este, 2004, e ainda o prêmio de melhor filme de ficção no 5º Festival de Cinema des 3 Ameriques, realizado em Quebec, no Canadá, 2004.

A exibição ocorrerá pontualmente às 19h30, no auditório da Biblioteca Municipal Ney Pontes Duarte. O Cineclube Mossoró cobrará, como entrada, uma taxa de manutenção no valor de R$ 1,00, que será destinada exclusivamente à cobertura dos gastos com as sessões e demais atividades do clube, sem fins lucrativos.

Os próximos filmes a serem exibidos pelo Cineclube Mossoró são: Pulp Fiction – Tempo de Violência (Quentin Tarantino, EUA, 1994), O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (Jean Pierre Jeunet, França, 2001), Laranja Mecânica (Stanley Kubrick, Inglaterra, 1971) e Ladrões de Bicicleta (Vittorio de Sica, Itália, 1948).

As datas das próximas exibições ainda não estão confirmadas. O cronograma será definido nas próximas reuniões do Cinecluble, que estarão abertas à participação de quaisquer interessados. Para participar, basta comparecer à próxima reunião, que realizar-se-á no próximo dia 10/04, na Biblioteca Municipal Ney Pontes Duarte, às 19h30.

SERVIÇO:

Filme: Narradores de Javé (Brasil, 2003)

GÊNERO: Comédia

Direção: Eliane Caffé

Elenco: José Dumont, Nelson Xavier, Matheus Nachtergaele, Gero Camilo, Nelson Dantas, Luci Pereira.

Local: Biblioteca Municipal Ney Pontes Duarte

Data: 14/04/2007

Hora: 19h30.

Terra em transe


Sessão de sábado, 03/Março/2007

Num país fictício chamado Eldorado, o jornalista e poeta Paulo (Jardel Filho) oscila entre diversas forças políticas em luta pelo poder. Porfírio Diaz (Paulo Autran) é um líder de direita, político paternalista da capital litorânea de Eldorado. Dom Felipe Vieira (José Lewgoy) é um político populista e Julio Fuentes (Paulo Gracindo), o dono de um império de comunicação. Em uma conversa com a militante Sara (Glauce Rocha), Paulo conclui que o povo de Eldorado precisa de um líder e que Vieira tem os pré-requisitos para a missão. Grande clássico do Cinema Novo, o filme faz duras críticas à ditadura.

Fonte: Interfilmes